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quarta-feira, 16 de março de 2011

Peça de teatro traz a imaginação de volta na era do 3D

“Fábulas de Esopo” trabalha os sentidos da criançada

BRUNO CARVALHO @brunosdr3

Direção: Grupo Faz de Conta

Teatro: Padre Bento

Nota: 5

A atriz Ana Luísa Lacombe conta histórias com animais com costumes humanos, as famosas fábulas. Acompanhada do músico Betinho Sodré, Ana Luísa canta, dança e interpreta de maneira que as crianças nem piscam.

No cenário há materiais reciclados por todo lado, os animais são representados por leques, panos e plásticos. Isso é um fator muito importante, pois, desperta a imaginação da criançada tão acostumada com efeitos especiais e brinquedos para representar objetos de adultos.

A interpretação de Ana Luísa com seus objetos trazem a riqueza da ilusão, onde cada criança imagina o animal como quiser. A mente tem o poder de criar, para cada personalidade há uma riqueza de invenção de cores, tamanhos e textura. As vozes ficaram por conta da atriz.

Os efeitos especiais ficaram por conta de vários instrumentos musicas de Betinho Sodré, vários sons acompanham as histórias. No espetáculo há o desenvolvimento dos sentidos, a audição – com as músicas e feitos sonoros; o tato – quando um espectador sobe ao palco para desfazer a teia de aranha feita com elástico.

Para as crianças fica a diversão das histórias, o ensinamento de cada personagem e a dica de reutilizar objetos para usar nas brincadeiras. A imaginação não morreu na era dos jogos 3D. O caminho para desenvolvimento da ilusão imaginaria depende do adulto mostrar as possibilidades, em “Fábulas de Esopo” o tiro foi dado.

terça-feira, 15 de março de 2011

Filme retrata o desenvolvimento guarulhense

“Memorial Guarulhos” é um dos presentes para comemorar os 450 anos

BRUNO CARVALHO @brunosdr3

Documentário

País: Brasil

Ano de Lançamento: 2010

Nota: 3

Com a intenção de reunir as várias versões históricas de Guarulhos, foi filmado o documentário “Memorial Guarulhos”, assim, as vozes de vários especialistas foram ouvidas e as pessoas comuns também foram retratadas.

O documentário trata de como surgiu o povoamento da Nossa Senhora da Conceição até chegar à metrópole dos dias atuais. Do desenvolvimento industrial e tecnológico até chegar no crescimento da área de serviços.

Quando trata da parte histórica, com fotos antigas ou as imagens da Festa da Carpição ou da Paixão de Cristo, o roteiro vai bem, há espaço para várias versões. Mas, em alguns momentos o roteiro perde o foco, quando começa a falar de superação.

Embora, há experiências complexas, elas deveriam ficar para outro documentário. Nessa fase do filme, o caminho se perde. Perde a intenção também nos momentos das entrevistas com empresários, eles poderiam ter falado sobre os desafios enfrentados para desenvolver as empresas na cidade, em vez de falar dos desafios pessoais. O fato de dar espaços aos patrocinadores, levou o roteirista a cometer um erro. O espaço seria válido para memorizar sobre Guarulhos, mas, ficou perdido nas personalidades desconhecidas.

Na parte técnica, principalmente nas imagens da Festa da Carpição, há ângulos perdidos que entraram no produto final. Algumas bocas e mãos filmadas não dizem nada. Outro momento de imagens ruins é quando filmam o historiador Elton Soares descrevendo a chegada dos portugueses no Rio Cabuçu de Cima.

Há dois momentos técnicos no filme, logo no início há os problemas técnicos já descritos, além do som das falas estarem quase no mesmo volume da trilha sonora.

Há grandes acertos também, a ideia de fazer um documentário sobre Guarulhos já é uma grande vitória. Há imagens marcantes da Casa da Candinha, da Mata da cabeceira do Rio Cabuçu de Cima, da Festa da Carpição (ainda muito desconhecida pela população), entre outras.

Para fechar a minha análise, trocaria os trechos sobre superação e experiências dos empresários, pela história do Sanatório Padre Bento, e pela história dos poetas e artistas da cidade. Por exemplo, Castelo Hanssen não poderia ficar de fora, pois, têm muitas histórias para contar sobre Guarulhos.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Bosco Maciel no Teatro Pe. Bento em Julho

Dificuldade financeira faz artista voltar para os palcos
Projeto Casa dos Cordéis precisa de auxílio para continuar sua missão pela cultura e foi o motivo para a realização do espetáculo

por BRUNO CARVALHO

Como sempre ligado às suas raízes, o cantador Bosco Maciel, 59 anos, buscou inspiração nos seus primórdios para batizar seu novo show de O Canto do Ferreiro (ave que também é conhecida como araponga). O pai do artista criava esse pássaro de canto potente que pode ser ouvido até quatro quilômetros de distância.
No repertório, só uma música que não é de autoria de Bosco, Lua Bonita, que tem aproximadamente 70 anos, foi composta pelo Zé do Norte. Essa é uma homenagem ao conterrâneo, que completaria 100 anos de nascimento em 2009.
As canções que serão executadas no show foram retiradas do estado de espírito do autor, saíram de momentos de melancolia ou excitação. “A música que nós produzimos, é o resultado da nossa própria vida, da nossa própria experiência e de nossa sensibilidade”, declamou Bosco Maciel.
Os temas surgem do amor, do humor, das histórias e dos costumes populares. Algumas letras fazem parte do seu livro “Romanceiro” e outras são composições mais recentes.
O artista está ligado às artes desde criança e, declarou que musicalmente este é o espetáculo mais completo da sua carreira, caprichou tecnicamente e não deixou a sensibilidade de lado. São três músicos no acompanhamento musical – Vinícius Medrado, Amanda Ribeiro e Helena Bruna que dividem instrumentos como harpa, acordeon, violão de 12 cordas, viola e ânfora.
Para quem já assistiu a uma apresentação do cantador, percebe-se que a emoção faz parte da sua arte, pois, não é difícil de ver as lágrimas escorrerem enquanto canta. Maciel nos contou: “Eu quando canto, estou tentando tirar uma expressão do meu eu, tudo que tenho dentro, ponho para fora através da música”.

Como o ferreiro, o cantor ecoa seu talento na varanda do instituto cultural


O cantor há algum tempo vinha fugindo dos palcos, mas resolveu voltar para ajudar o projeto que leva nas “costas”, o Instituto Cultural Casa dos Cordéis, promove a cultura popular e, abre espaço para repentistas, artistas plásticos, poetas para se apresentarem, além de cursos de artesanatos. Parte da renda da bilheteria vai ser direcionada para o instituto.
O problema é que a casa sofre com problemas financeiros, pois, apenas parte das despesas é paga pelo projeto Funcultura, outra parte sai do próprio bolso do artista. Para não parar com projeto foi criado o “Eu sou amigo da Casa dos Cordéis”, que é um modo de arrecadar verba. Qualquer empresa ou pessoa física pode contribuir. Os interessados devem entrar em contato pelo e-mail: boscojb@gmail.com ou pelos telefones: 2229-8930 e 5083-8676, que serão passadas todas as diretrizes de como proceder à ajuda.

Serviço:
O Canto do Ferreiro 18 de julho (sábado) Indicação: livre. Ingressos à venda na bilheteria do teatro, uma hora antes do início do espetáculo – R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Mais informações e vendas antecipadas pelo telefone 2229-8930 ou no www.boscomaciel.com.br. Rua Francisco Foot, 3, Gopoúva. 20h.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Governo vilão atemoriza a expressão da subjetividade humana

Procedimentos adotados pela secretaria da cultura aborrecem artistas
por BRUNO CARVALHO

Voltando para as eleições municipais de 2008, segundo turno entre Sebastião Almeida (PT) e Carlos Roberto (PSDB). O petista defendia manter o que tinha de bom da gestão de Pietá e, um dos pontos que boa parte da população elogiava eram os avanços na cultura. Enquanto, o tucano dizia que pobre não gostava de teatro e coisas afins.
Com esse quadro, os artistas guarulhense fizeram campanha para eleger Almeida, eles acreditavam no tal continuísmo. Agora, estamos no final do mês de abril de 2009 e a história é outra.
Várias oficinas culturais foram interrompidas, a Escola Viva de Artes Cênicas morreu. A prefeitura só abre espaço para os artistas de fora nos palcos da cidade.
Pergunto será que empossou o prefeito certo? Pelo menos o tucano teve a cara de pau de afirmar que iria acabar com o que tinham construído com eficiência.
Nos últimos dias, reuniões foram feitas entre representantes da classe artística e o secretário da cultura Hélio Arantes, esse ficou aborrecido, quando questionado sobre o Funcultura e a Escola Viva. Se for apenas para posar de democrático, é melhor nem marcar reunião, deve-se responder aos questionamentos e ser sincero. Esperamos respostas sobre essas questões, já deu tempo de fazer um planejamento e saber o que pode ser feito.
É fácil perceber que estão querendo controlar a temática dos roteiros artísticos, o exemplo é o Funcultura que dá preferência para quem propor projetos sobre o meio-ambiente e os 450 anos de Guarulhos. Isso é coisa de ditadura. A arte deve ser livre para criticar inclusive o governo, deve nortear a sociedade e, o artista deve ser livre para escolher sobre o quer falar. Inventaram um novo tipo de censura.