Os artistas pedem programas que realmente incentivem a produção artística e cultural de forma contínua, e não pontualmente, apenas com a disposição de espaços públicos para apresentações e divulgação do trabalho de artistas locais.
“A Prefeitura até tem um programa de oficina, mas está cada vez mais sucateado. A Escola Viva foi fechada. Não temos perna para tocar sozinhos, afinal para manter não basta amor à arte”, comentou o ator Franklin Jones.
A Prefeitura de Guarulhos aderiu ao Plano Nacional de Cultura e deve elaborar metas de dez anos para o desenvolvimento da cultura na cidade, porém, Jones, membro do Conselho Municipal de Cultura, alerta que grupo deveria ser o responsável por intermediar a elaboração do documento com a comunidade, mas desde janeiro não são realizadas reuniões que deveriam ser bimestrais.
“Não adianta apenas construir teatro, como estão previstos mais três, sem uma política efetiva de cultura, sem achismo”, disse.
Segundo o diretor de teatro Luciano Gentile, mesmo assim, ao ser questionado sobre a implantação da Lei Municipal de Fomento ao Teatro e à Dança, o secretário de Cultura, Hélio Arantes, teria afirmado que usaria o restante da verba do Funcultura para iniciar o programa de fomento e tentaria ampliação do fundo para financiá-lo.
“Foram habilitados 28 projetos para o Funcultura, mas apenas 13 foram contemplados, nenhum de teatro ou dança. Se há verba, porque não contemplar os demais habilitados?”, questiona Gentile.
Após abaixo assinado do TAZ Guarulhos (Zona Autônoma Temporária), formado por grupos teatrais e artistas independentes, com mais de 2.500 pessoas, o Ministério Público fez representação e abriu inquérito contra a Secretaria de Cultura e a Prefeitura de Guarulhos pelo não cumprimento da lei.
De acordo com o ator Franklin Jones, em reunião no dia 2 de agosto, o secretário de Cultura, Hélio Arantes, afirmou que não colocava em prática a lei porque geraria discórdia entre a classe artística não enquadrada na lei, e que para implantar o Programa de Fomento não criaria um fundo específico, mas utilizaria o FunCultura.
Hanssen exemplifica com a situação enfrentada pela Casa dos Cordéis, que além de ter perdido o apoio a Prefeitura com a divulgação de sua programação na agenda cultural da cidade, tem sido excluída de outras participações, como o Simpósio de Viola, que acabou sendo sediado apenas pelo Teatro Padre Bento, e a Festa de Nossa Senhora do Bonsucesso. “Há 10 anos a Casa dos Cordéis participa da programação da festa com a romaria sacro-profana, mas esse ano foi tirado do calendário”, comentou o escritor.
Segundo o poeta e folclorista fundador da Casa dos Cordéis, Bosco Maciel, a romaria acontece mesmo sem apoio no dia 28 de agosto, com concentração no Trevo de Bonsucesso, às 9h. O artista, que também é funcionário público disse que realmente tem sofrido perseguição e que por conta disso deve pedir demissão do cargo público. “É uma situação insuportável”, disse.
O ator Franklin Jones denuncia ainda a perseguição a funcionários públicos, comissionados e concursados, que assinaram o abaixo assinado da TAZ em prol da Lei de Fomento ao Teatro e a Dança. “Exigiram que tirassem os nomes do documento. Alguns estão sofrendo processo administrativo”, afirmou.
publicado pela Folha Metropolitana em 10/08. veja no site www.folhametro.com.br

