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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Artistas denunciam abandono da Cultura na cidade

por Laís Domingues 
           
          O Orçamento da Secretaria de Cultura para este ano foi aprovado em mais de R$ 16 milhões, com destinação de quase R$ 12 milhões para o desenvolvimento e implementação das ações culturais, entretanto, artistas da cidade denunciam o abandono da administração desses recursos pela pasta, e a falta de política pública e projetos consistentes para a cultura da cidade.
          “Estamos preocupados com a maneira com que se tem encaminhado a cultura na cidade. A situação é complicada, a classe artística e as produções culturais estão falindo”, disse o diretor de teatro Luciano Gentile, que vê com preocupação o direcionamento que a secretaria dá para o termo ‘ação cultural’, atualmente voltado essencialmente para a realização de eventos e shows, normalmente com ícones da indústria cultural, como a cantora Cláudia Leite, convidada para realizar, por R$ 347 mil, show de inauguração do Centro de Educação Unificado (CEU) Paraíso.
          Os artistas pedem programas que realmente incentivem a produção artística e cultural de forma contínua, e não pontualmente, apenas com a disposição de espaços públicos para apresentações e divulgação do trabalho de artistas locais.
          “A Prefeitura até tem um programa de oficina, mas está cada vez mais sucateado. A Escola Viva foi fechada. Não temos perna para tocar sozinhos, afinal para manter não basta amor à arte”, comentou o ator Franklin Jones.

Profissionais da arte temem Plano Municipal de Cultura
          O ator Franklin Jones, o diretor de teatro Luciano Gentile e a atriz Pamela Regina apontam falhas da Secretaria de Cultura que podem criar uma visão distorcida da realidade vivenciada pela classe artística na cidade e um Plano Municipal de Cultura defasado.
A Prefeitura de Guarulhos aderiu ao Plano Nacional de Cultura e deve elaborar metas de dez anos para o desenvolvimento da cultura na cidade, porém, Jones, membro do Conselho Municipal de Cultura, alerta que grupo deveria ser o responsável por intermediar a elaboração do documento com a comunidade, mas desde janeiro não são realizadas reuniões que deveriam ser bimestrais.
“Não adianta apenas construir teatro, como estão previstos mais três, sem uma política efetiva de cultura, sem achismo”, disse.

Verba do FunCultura é insuficiente e mal-utilizada, relata diretor de teatro
          Para os artistas da cidade, a verba destinada ao FunCultura, R$ 620 mil em 2011, é pouco para só ele contemplar  um ano de atividades de diferentes linguagens: música, artes cênicas, artes visuais, literatura, cultura popular e patrimônio histórico.
          Segundo o diretor de teatro Luciano Gentile, mesmo assim, ao ser questionado sobre a implantação da Lei Municipal de Fomento ao Teatro e à Dança, o secretário de Cultura, Hélio Arantes, teria afirmado que usaria o restante da verba do Funcultura para iniciar o programa de fomento e tentaria ampliação do fundo para financiá-lo.
“Foram habilitados 28 projetos para o Funcultura, mas apenas 13 foram contemplados, nenhum de teatro ou dança. Se há verba, porque não contemplar os demais habilitados?”, questiona Gentile.

Ministério Público abre inquérito e cobra utilização da Lei de Fomento
          Criada em 2009, e publicada no Diário do Município de janeiro de 2010, a Lei n° 6628/09 institui o Programa Municipal de Fomento ao Teatro e à Dança para a cidade de Guarulhos, entretanto, a Secretaria de Cultura não publicou o edital do programa.
          Após abaixo assinado do TAZ Guarulhos (Zona Autônoma Temporária), formado por grupos teatrais e artistas independentes, com mais de 2.500 pessoas, o Ministério Público fez representação e abriu inquérito contra a Secretaria de Cultura e a Prefeitura de Guarulhos pelo não cumprimento da lei.
          De acordo com o ator Franklin Jones, em reunião no dia 2 de agosto, o secretário de Cultura, Hélio Arantes, afirmou que não colocava em prática a lei porque geraria discórdia entre a classe artística não enquadrada na lei, e que para implantar o Programa de Fomento não criaria um fundo específico, mas utilizaria o FunCultura.
         
Classe artística denuncia também perseguição
          De acordo com o escritor e jornalista Castelo Hanssen, além da falta de projetos, a Secretaria de Cultura tem ‘atrapalhado’ o trabalho de outras entidades independentes da municipalidade.
          Hanssen exemplifica com a situação enfrentada pela Casa dos Cordéis, que além de ter perdido o apoio a Prefeitura com a divulgação de sua programação na agenda cultural da cidade, tem sido excluída de outras participações, como o Simpósio de Viola, que acabou sendo sediado apenas pelo Teatro Padre Bento, e a Festa de Nossa Senhora do Bonsucesso. “Há 10 anos a Casa dos Cordéis participa da programação da festa com a romaria sacro-profana, mas esse ano foi tirado do calendário”, comentou o escritor.
          Segundo o poeta e folclorista fundador da Casa dos Cordéis, Bosco Maciel, a romaria acontece mesmo sem apoio no dia 28 de agosto, com concentração no Trevo de Bonsucesso, às 9h. O artista, que também é funcionário público disse que realmente tem sofrido perseguição e que por conta disso deve pedir demissão do cargo público. “É uma situação insuportável”, disse.
          O ator Franklin Jones denuncia ainda a perseguição a funcionários públicos, comissionados e concursados, que assinaram o abaixo assinado da TAZ em prol da Lei de Fomento ao Teatro e a Dança. “Exigiram que tirassem os nomes do documento. Alguns estão sofrendo processo administrativo”, afirmou. 

publicado pela Folha Metropolitana em 10/08. veja no site www.folhametro.com.br

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Encontro de Artistas teve bom começo

por Castelo Hanssen
   O Encontro Livre de Artistas de Guarulhos, realizado no dia 23 de julho na Casa dos Cordéis foi promissor. Mais de cem pessoas compareceram, houve intensa discussão sobre todos os problemas enfrentados pela cultura e seus agentes na cidade, e tudo indica que já começa a refletir entre as autoridades que cuidam do assunto. O secretário da Cultura foi muito criticado por algumas de suas ações, mas espera-se que na medida em que as discussões forem se aprofundando ele mude de atitude.
Um dos grandes temas propostos foi a criação de uma Fundação Cultural nos moldes das existentes em São José dos Campos, São Caetano do Sul e outras cidades.
Essas fundações recebem as verbas que o município é obrigado a destinar à Cultura, e substitui a Secretaria Municipal. Seus membros são eleitos pela comunidade cultural da cidade e não sofre intervenção política nem solução de continuidade quando o governo muda.
   A ideia teve apoio total dos participantes, mas todos concordaram que a instituição de tal fundação deve passar pela aprovação da Câmara Municipal, e necessita de mais estudos e maior preparação. Para isso foi proposta a formação de um grupo de trabalho para estudá-la, ou para pensar outras formas de organização.
Outro assunto pautado foi a ocupação de espaços públicos para espetáculos teatrais, musicais, dança e declamação de poemas. Ficou claro que os espaços são públicos e sua ocupação não depende de autorização da Administração Municipal. Basta que os artistas interessados se unam e se organizem. Os logradouros preferidos para essas intervenções são o calçadão da avenida D. Pedro II (foto) e o Paço Municipal.
   Foram ainda discutidas a utilização da Internet para divulgação cultural, palestras nas escolas em união com as secretarias da Cultura e da Educação, porque ambas não podem ser separadas. Foram propostos debates com a população, criação de espaços de convivência e de um estúdio comunitário. Uma das questões cruciais foi o pagamento para os artistas se apresentarem, e a isenção de impostos para a categoria.
   A próxima reunião foi marcada para o dia 3 de setembro, um sábado, às 15 horas, na Casa dos Cordéis, situada na Avenida Torres Tibagi, 90, no Gopoúva, paralela ao Anel Viário, próxima ao Saae. O tema será a ‘Política cultural que todos almejam’, bem como a organização de grupos para a ocupação de espaços públicos. Espera-se a participação maciça dos artistas e das pessoas interessadas em cultura.


publicado pela Folha Metropolitana em 05/08. veja no site www.folhametro.com.br

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

BE-24: o jornalismo do entretenimento

Observe a Imagem:


BE-24: o jornalismo do entretenimento

Segundo Thaís de Mendonça Jorge: “a mcdonaldização é um fenômeno que incide sobre o jornalismo e afeta as notícias”

por BRUNO CAVALHO

O programa E-24 representa a Mcdonaldização do jornalismo na TV brasileira, há versões na Itália, Espanha, Chile e na Argentina e chega ao Brasil em parceria da Band com a Cuatro Cabezas, mesma produtora do CQC.

As matérias têm títulos genéricos como: acidente de trânsito, acidente de trabalho, acidente de moto, fratura de fêmur, são alguns exemplos. Nos quatro programas que foram feitas as observações, notamos que os títulos são padronizados e não seguem os padrões tradicionais do jornalismo, pois, falta o verbo de ação.

Dentro do conceito de infotenimento, o E-24 mistura características do seriado americano ER (conhecido no Brasil como Plantão Médico), mas com histórias reais. Isso é comprovado na escala das matérias, que abre o programa. Os casos são anunciados, por exemplo, Acidente de Trânsito – mostra as imagens da matéria, nisso eles destacam em congelamento da tela o rosto de um médico, com descrição do número do CRM (Conselho Regional de Medicina) e outros dados do profissional. Podemos fazer um paralelo entre a associação do Palhaço Ronald do Mcdonald’s, que representa a rede de fast-food e, os profissionais que representam o atendimento médico, que o programa destaca.

No jornalismo McWorld há grande espetacularização da notícia, o que foi observado durante nossa pesquisa. O programa usa de imagens que chocam o público, imagens com closes de cortes para cirurgias, fraturas expostas, sutura de cortes, perfurações por armas de fogo, sangue jorrando do corpo. Esse tipo de jornalismo de sensações faz parte da atração, que ainda utiliza trilhas sonoras de mistério ou agitação. Quando não é uma música, sobe o som de furadeiras, enquanto, imagens de ossos perfurados são demonstradas para o público.

O atendimento feito pelo regaste e pelos hospitais foram sempre positivos, dentre vários casos que pessoas corriam risco de morte, apenas dois óbitos foram constatados, porém, quando o resgate dos bombeiros chegou ao local, as vítimas já estavam mortas. Nesses dois casos, os paramédicos ficaram frustrados, pois, não conseguiram chegar a tempo de salvar as vítimas. Há grande humanização dos profissionais durante as matérias.

O destaque das matérias não eram os acidentes e nem os socorridos, como geralmente é feito no jornalismo. Só o primeiro nome das vítimas aparece no G.C., enquanto, os profissionais de atendimento médico tinham o sobrenome e os cargos destacados.

O programa é divido em três blocos, no terceiro inicia-se com uma vinheta com dicas de prevenção para Gripe A. A prestação de serviços também é feita com conselhos dos médicos, que fazem recomendações para combater o alcoolismo, os acidentes de trânsitos e de trabalho.

O efeito da Macdonaldização é constatado no E-24, por ser um programa que tem versões em outros países, por seguir a padronização nos títulos das matérias e também por simbolizar o bom atendimento dos profissionais da saúde pública. O pense globalmente está no formato que já vem de programas como o “Emergência 911”, de documentários como o “Faces da Morte”, de seriados como o “ER”; o agir localmente está inserido através do destaque do atendimento do “Grau Resgate” e SAMU; na prestação de serviços de hospitais como o do Mandaqui, da Pedreira e Vila Maria. O jornalismo McWorld traz a mistura entre o jornalismo e o entretenimento que é a característica do programa.

Bibliografias consultadas

A MTV no Brasil – a padronização da cultura na mídia eletrônica mundial – Luiza Lusvarghi

Mcdonaldização no jornalismo, espetacularização da notícia – Thaís de Mendonça Jorge


sexta-feira, 10 de abril de 2009

Mídia: reportagem no Diário de Guarulhos


Dia do teatro e do circo leva artistas às ruas

Grupos da cidade fizeram performances no calçadão da Dom Pedro II

Crislaine Tomaz

Da Redação

Quem passou pelo calçadão da Dom Pedro II, no Centro, na tarde desta sexta-feira (27), era convidado a interagir com uma trupe de artistas guarulhenses em uma roda de brincadeiras, em comemoração ao Dia Mundial do Circo e do Teatro.

Foto: Jair Malavazi

A brincadeira, que começou com cerca de 20 artistas, foi acompanhada por populares, seguindo pela avenida Monteiro Lobato até o Adamastor Centro, no Macedo.

De acordo com o ator Franklin Jones, além de comemorar a data, a ação também tinha como objetivo mostrar a cara dos artistas guarulhenses ao grande público. "Somos mais de 20 grupos de teatro na cidade, mas muita gente nem sabe que existimos. Além do mais, o artista só se torna conhecido quando mete a cara e vai ao encontro do seu público", explicou Jones, enquanto convidava os pedestres para interagir.

A dona de casa Leila Secundo Rocha passava pelo calçadão com o filho Pedro, de 6 anos, e parou para assistir. "Quando ele viu os artistas, parecia que tinha sido hipnotizado e começou a me puxar até a roda, querendo brincar também", disse.

Quem também não resistiu foi a estudante Larissa da Silva. "Gosto muito dessas manifestações artísticas na rua, pois aproxima a arte às pessoas que não têm oportunidade de ir ao teatro".

em: http://www.diariodeguarulhos.com.br/jornal/dgnews/jornal/materia.jsp?id=4159&ca=33