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sexta-feira, 24 de abril de 2009

Carta ao PÚBLICO

Guarulhos, 22 de abril de 2009

Movimento Guarulhos tem Artistas promoverá manifesto público para exigir respeito, horizontalidade e clareza por parte dos gestores públicos da Cultura em Guarulhos.


Para esclarecermos algumas das motivações para o manifesto, relataremos alguns fatos ocorridos desde o início da nova gestão municipal e apresentaremos a Escola Viva de Artes Cênicas de Guarulhos, uma escola livre de teatro e dança que poderia se tornar referência em formação cultural, mas teve seus projetos desmantelados pelo atual Secretário Municipal de Cultura, o senhor Hélio Arantes.

A Escola Viva de Artes Cênicas de Guarulhos existe há três anos, ela leciona diversos cursos livres nas áreas de artes cênicas: dança, representação, direção, dramaturgia, núcleo de estudos cômicos, dança contemporânea, produção, cenografia, iluminação, entre outros, e está sediada atualmente na rua Francisco Foot, nº 03, Jardim Tranqüilidade, Guarulhos, SP.

Criada durante a administração do ex-prefeito Eloi Pietá e do ex-secretário de cultura Edmilson Souza, a escola é regulamentada pela lei nº 6.203 de 18 de dezembro de 2006, todos os seus cursos têm duração de quatro semestres com conteúdos teórico-práticos baseados em experimentações cênicas e contextualização com o fazer teatral na cidade e ela já atendeu um número considerável de cidadãos.

Desde sua fundação, a escola já formou duas turmas de atores, uma turma de diretores, duas de iluminadores, uma de produtores executivos, uma de cenógrafos e uma de dança contemporânea. Após as eleições de 2008, e a posse dos novos gestores do município, as atividades da Escola Viva foram suspensas. Existe um grupo de alunos, a Representação 3, que estava cursando há 16 meses o curso livre de teatro e suas aulas foram simplesmente suspensas sem qualquer satisfação por parte da coordenação da escola e por parte da secretaria de cultura. Os professores da escola e da Representação 3 não tiveram seus contratos renovados e também não tiveram nenhum esclarecimento sobre a retomada das aulas por parte da coordenação da escola ou da secretaria de cultura, que tem como seus gestores o Secretário Hélio Arantes e Secretário Adjunto José Marques de Oliveira. As aulas deveriam ser retomadas em janeiro conforme ocorreu com as duas anteriores, pois o último semestre é dedicado à montagem teatral e temporada em cartaz com a peça. Porém para suprir a necessidade de adaptação dos novos gestores da secretaria de cultura, a data de retorno das atividades ficou marcada para o dia 13 de março de 2009.

Contudo, foi aberto em 29 de janeiro de 2009, inscrições para processo seletivo e oficinas da Escola Viva, conforme pode ser lido em matéria no site da cidade, neste link:

http://www.guarulhos.sp.gov.br/07_noticias/lenoticia.php?idSec=0&idmenu=0&ov=&rnd=6974&idnot=5406

Diversos interessados compareceram ao Teatro Padre Bento e efetivaram suas inscrições, mas o processo seletivo foi suspenso sem data para ser retomado, conforme informações dos funcionários do teatro.

As aulas dos cursos e núcleos que se encontravam em processos de andamento não retornaram, as satisfações continuaram a não serem dadas. Sendo assim, o corpo docente após diversas tentativas de contato com o secretário Hélio Arantes, e sem obter resposta satisfatória, convocou assembléia junto aos alunos, ex alunos, artistas da cidade, interessados em geral e comunidade para que juntos pudéssemos pressionar a secretaria a dar esclarecimentos. Tal assembléia ocorreu dia 20 de março de 2009, às 20h dentro do teatro Padre Bento, e contou com a presença de aproximadamente 40 pessoas. Para surpresa geral, o secretário adjunto José Marques de Oliveira, compareceu à reunião e ao ser indagado sobre a paralisação da escola, informou que ela passaria por um período de reestruturação que resultaria em um convenio com uma instituição privada de ensino de teatro da cidade de São Paulo, que administraria a escola pedagogicamente para que a mesma passe a fornecer DRT. O secretario adjunto informou também que os futuros alunos receberão bolsa auxilio e garantiu que as aulas da Representação 3 iriam retornar dia 13 de abril de 2009. Sua permanência na assembléia foi curta, cerca de 15 minutos, pois afirmou ter outro compromisso – dar entrevista para divulgação de seu espetáculo anual A paixão de Cristo, onde o secretário adjunto é um dos produtores e interpreta o personagem principal - Jesus Cristo. Tal espetáculo teve o apoio da prefeitura de Guarulhos, para sua realização, e o protagonista teve seu rosto e o nome de sua companhia teatral particular estampados em cartazes, outdoors, matérias de jornais e televisão. A Paixão de Cristo de Guarulhos foi apresentada dias 11 e 12 de abril e centenas de funcionários públicos foram mobilizados para a organização do evento – que, vale repetir, serviu para promover o nome da Companhia Trópicos Teatral, do secretário Adjunto de Cultura.

O Secretário Adjunto disse ainda aos membros da Assembléia que o Teatro Padre Bento estava aberto para que as reuniões continuassem a ocorrer, e deixou a cargo de sua funcionária (Rosane) agendar uma reunião entre os professores e os secretários para a semana seguinte, e uma posterior com todos.

Mero engano... Promessa vazia de quem se sentiu acuado. Não foi marcada reunião nenhuma, porém as assembléias continuaram. No dia 26 de março, foi realizada outra assembléia com o mesmo número de participantes, discutimos temas relacionados à formação de artistas, lei de incentivo cultural e ações que poderiam ser feitas para chamar a atenção para a causa. No dia 02 de abril, também ocorreu uma assembléia, porém com número menor de participantes, e para surpresa geral, fomos proibidos de utilizar as dependências da Escola Viva de Artes Cênicas, não só as salas e o teatro (palco), como também as dependências externas como o estacionamento e área de convivência, terreno ao redor e afins. Tal proibição, além de ir contra as palavras proferidas pelo secretário adjunto, fere a Lei de Ação Popular, de nº 4.717, de 29 de junho de 1965. A alegação para a proibição é a falta de um ofício, e os gastos gerados com luz, controladores de acesso, água, Guarda Civil Municipal e agentes culturais. O mais engraçado, é que havia tudo isso lá na noite mencionada e as luzes estavam todas acesas. Não fomos embora, e como um ato de resistência, fizemos a reunião na calçada em frente ao portão da escola.

No mesmo dia, ficou decidido entregar para a Secretaria de Cultura, à Ouvidoria Municipal e ao Gabinete do Prefeito, duas cartas, uma dos professores e outra dos membros da assembléia informando o ocorrido e solicitando uma reunião aberta à todos os interessados com o Secretário de Cultura Hélio Arantes e seu Secretário Adjunto Marques Oliveira para que decisões sobre o novo projeto da escola de artes cênicas fosse discutido junto com os artistas e interessados. Mas nenhuma resposta oficial nos foi dada até o momento. A carta foi entregue e protocolada no dia 03 de abril de 2009.

No dia 6 de abril, os controladores de acesso e faxineiras da Escola Viva de Artes Cênicas foram afastados e o prédio passou a fechar às 19h00 ao invés das 22h00 e está sempre com seus portões fechados.

Como já estávamos esperando, o 13 de abril chegou e a escola não retomou as suas atividades. Uma agente cultural da escola, a Cleire Fernandes, pediu que a turma da Representação 3 elegesse três representantes porque o diretor da secretaria de cultura os receberia na terça, dia 14 entre às 14h00 e 17h00 e explicaria o que estava acontecendo. Bom, esses alunos compareceram à secretaria de cultura e ouviram a “desculpa” que não havia horário na agenda do diretor. Diante disso, o secretario adjunto os recepcionou após quatro horas de espera para dizer que as aulas não voltaram porque os professores não aceitaram renovar contrato mediante a redução de aproximadamente 50% no valor pago por hora aula, que era de R$45,00 a hora, para R$25,00 a hora. Disse ainda que não sabia da proibição de utilização de espaço, mas que ele é “apenas o secretário adjunto”.

Para terminar, no dia 17 de abril de 2009, o senhor Hélio Arantes, em reunião aberta da Ong Aculturação, sediada dentro do comitê político do secretário de governo Alencar Santana Braga, do PT, disse que paralisou as atividades da Escola Viva porque membros da administração anterior estavam se comportando como se ainda estivessem no poder e ele precisava deixar claro que “quem manda agora é ele”. Afirmou ainda que o valor pago por hora/aula aos professores da escola era mais alto que a quantia que ele próprio recebe por hora de trabalho e que isso é inadmissível, por isso não os recontratou.

Tudo o que foi pedido a este senhor, foi uma reunião para discutir o novo projeto de escola a ser implantado, e a volta das aulas da Representação 3, do Núcleo de Dança, do Núcleo de Estudos do Cômico e do Núcleo de Direção. E as únicas respostas que obtivemos foram a omissão e o descaso.



Movimento Guarulhos tem Artista


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